sábado, 18 de março de 2017

38. JARDIM VIRGINIA, GUARUJÁ S.P.

COMEÇOU ASSIM EM 1954.


Pedro Paulo Matarazzo era misantropo, pelo menos foi o que ele me confidenciou. Nos fins de semana em que vinha para o Guarujá, na década de setenta e início da de oitenta, passávamos algum tempo conversando. Inteligente, de origem no mezzo giorno peninsular, conhecia as mazelas humanas. Certa ocasião criticou uma família com origem no oriente próximo que tinha casa na Enseada porque festejava com champanhe francês e fazia questão de colocar nos jornais para que todos vissem. Disse ele: podemos gozar o dinheiro que ganhamos, mas não devemos esquecer que muitos vivem na miséria. Dizia também que desde que teve a idéia de fazer o loteamento era obrigado a sustentar a corrupção, caso contrário as coisas não andavam, isto é, desde 1954! Contou-me os detalhes, o que contribuiu para que eu engrossasse a turma dos misantropos.

O projeto do loteamento Jardim Virginia não tem similar em toda Enseada, quiçá no Guarujá, em termos técnicos de plano urbanístico e de saneamento. Foi o projeto de drenagem mais perfeito e honesto que já tive conhecimento pela complexidade, uma vez que a região era toda inundada, porque a drenagem natural dependia do escoamento do rio do Peixe, que deságua no Perequê, a seis quilômetros de distância e, principalmente, pelos rios Bonet e das Pitas, ambos com meandros naturais e completamente assoreados por ter seu curso em leito de areia.

Quando a distribuição de água potável era incipiente nas Pitangueiras, o Jardim Virgínia dispunha de distribuição domiciliar de água mineral (mandada analisar pelo Dr. Osvaldo Cruz, morador) proveniente da serra ao lado da pedreira. Ali foi construída uma captação de água oriunda das nascentes a montante, a qual eu, muitas vezes, vistoriei para me certificar das condições sanitárias. Uma adutora de mais do que três quilômetros, feita em tubos de ferro fundido de cinco polegadas, trazia água potável até a avenida em frente ao mar. Na Avenida Paulo Matarazzo, próximo à Rua Acre, o loteador fez um enorme chafariz, artístico, onde saía o excesso da água não consumida. O chafariz começou a ser destruído no governo municipal em 1980/81. Os outros governos incumbiram-se de destruir o restante. Lamentável. Infelizmente gente de poucos atributos intelectuais que não conseguem entender o que seja arte. Muito menos entendem que devemos preservar a história de nossa arquitetura.

         Chafariz Av. Paulo Matarazzo, final,                    Captação água


1974 

Durante o governo dos militares, que não foi uma ditadura porque esta preconcebe sempre um só mandatário que fica no Poder muitos anos, iniciamos uma segunda etapa do loteamento. Entretanto, foi uma época de muita estatização e também corrupção nos escalões inferiores. É dificil fiscalizar quando se trata de um povo corrupto pela própria natureza. Sei lá.

Nessa época o Conde Pedro Paulo Matarazzo estava com um grande problema. Havia aprovado na PMG um enorme loteamento em quase toda a área restante de sua propriedade no Jardim Virgínia. Milhares de lotes que tinham que pagar IPTU. Nada se vendia na época e, além disso, o loteamento fora aprovado, como a maioria dos loteamentos da Enseada,  sem um projeto de drenagem factível. Sob esse aspecto seria um loteamento de dificil realização pela impossibilidade de retirar as águas pluviais que se acumulam em chuvas de prazos de recorrência maiores.

Fui contratado para resolver o impasse e a primeira providência foi conseguir junto a PMG a anulação do projeto aprovado que não tinha ainda sido realizado nem registrado. O meu amigo Laerte, agora aposentado, deve se lembrar disso. Após essa providência, iniciamos um estudo para o aproveitamento global da área, levando em conta a caótica situação de drenagem da região. Esse estudo resultou no mapa, a esquerda, abaixo, que seria feito por etapas.


           O SONHO                                                        A REALIDADE ( áreas aproximadas)


Os canais de drenagem foram objeto de projetos à semelhança daqueles feitos em Santos pelo sanitarista Saturnino de Brito. A idéia sempre foi seguir a excelência que caracterizou o loteamento iniciado em 1954, sem comparação possível com outros loteamentos nas imediações, à exceção do Portal do Guarujá e Granville. Assim é que o projeto da Av. Braúna prevê um canal que substitui o antigo rio Bonet a fim de dar vazão às águas.




A drenagem que a natureza realizou durante os últimos 15.000 anos, sempre pelo caminho de menor distância do mar, era feita através dos rios Bonet e Pitas. O canal que substituiu o Rio do Peixe, feito na década de 80 retirando-o de seu leito natural e colocando-o para fluir em leito arenoso, certamente cobrará pedágio de nossos descendentes. Aliás, isso acontece em quase todas as cidades brasileiras onde as enchentes, corriqueiras, são sempre atribuídas a São Pedro. Não se sabe a quem atribuir esses erros de projeto, se a nossas escolas de engenharia ou as universidades da corrupção.

Em 1982 a morte do loteador mostrou que os Poderes Públicos não estão à altura de responder por uma administração coerente e racional para tomar providência tempestiva e necessária. Debito à todos eles o ocorrido com a urbanização equivocada ocorrida na área do Jardim Virgínia, Guarujá, isto é as invasões e realização de loteamentos ao arrepio das leis.

 A Firenze Construtora, impotente para resolver os problemas que se desenrolavam morosamente no Judiciário, aguardou três anos, de 1982 a 1985, amargando prejuízos, quando optou por um acordo para não perder mais dinheiro, recebendo como pagamento de seus serviços lotes em loteamento inacabado, O QUAL DEVERIA SER TERMINADO PELOS LEGATÁRIOS DO LOTEADOR DEFUNTO, PORÉM ATÉ HOJE NÃO FOI FEITO. Esse pagamento, com certeza, não cobriu o total do crédito pois não levou em consideração lucros cessantes e expectativa de lucro com o cemitério, cujas despesas do projeto foram custeadas totalmente pela Construtora Firenze. Além disso, a falta de uma documentação perfeita dos lotes desvalorizou o pagamento feito à Firenze pelos legatários do loteador Matarazzo.

Foram mantidas no local nesses três anos uma moto-niveladora, duas retro-escavadeiras, uma AD7B, uma W20 e uma W7, alem da infra-estrutura, ferramentas e pessoal para a manutenção dessas máquinas e também o escritório de vendas!

O restante da história está na primeira postagem deste blog e sucessivas. E abaixo é a finalização do sonho de fazer o Guarujá um pouco melhor.



      

       
 
      As escolas atuais estão realmente ensinando o que?


       

O Brasil atravessa uma fase de incompetência generalizada dos poderes que o administram, o que é uma pena porque poderia ser um país mais bonito e civilizado. Obras de urbanização, particulares ou públicas, não podem deixar de ter continuidade mercê da morosidade das providências legais. A consequência trágica  é a favelização das cidades, a falta de saneamento, além de litigância com mortes, sempre sem punição.

São trinta e cinco anos que o loteamento espera dos poderes competentes alguma solução racional e é a primeira vez que vemos um secretário municipal participar e interessar-se pela solução do problema Jardim Virginia e isso já é meio caminho andado. Desejo ao Arquiteto Marçal  muita coragem para enfrentar esse problema que ele conhece bem.

 Ainda que tenha sido declarado na reunião, da foto anexa, que o pagamento feito à Firenze será honrado, conforme já havia sido declarado pela Tera, sucessora do loteador, no jornal A Tribuna em 18 de fevereiro de 2012, sobejam ainda outros problemas tais como a área destinada a jardins e edificios públicos, e a obrigatoriedade de fazer as obras de infraestrutura.

Este ano faço oitenta anos e me despeço, pessimista, no que tange a ver plenamente realizado o sonho um dia sonhado.

Apesar de haver tanta gente honesta e inteligente, nosso país caminha à matroca na mão de algumas centenas de bandidos. Lamentável. Salve-se quem puder.    Di Petta março/2017

domingo, 14 de junho de 2015

37. COMUNICADO



Para que fique claro e a bem da verdade informo que o prazo de 15 (20) dias dado pelo Sr. Alcides, venceu no dia 22 de maio último.

Até hoje ninguém nos procurou o que demonstra que a palavra dada não teria valor, ou não ficamos sabendo se existe ainda algum problema para resolver, se alguém ficou doente, enfim, sem nenhuma informação.

Infelizmente em nosso país essa atitude passou a fazer parte da cultura popular.


Aguardemos.

sábado, 9 de maio de 2015

36. COMUNICADO

JARDIM VIRGINIA

Na última segunda feira, dia 04 de maio, fizemos uma reunião com o Sr. Alcides representante do Sr. Airton Garcia. Na reunião estavam também o Sr. Fernando e o Sr. Assis.

Nessa ocasião o Sr. Alcides pediu de 15 a 20 dias portanto até o dia 22 próximo, para  assinar um documento pondo fim ao problema  em obediência à publicação que a Tera fez no jornal Tribuna.


Vamos aguardar.         

GUARUJÁ 08.05.2015

segunda-feira, 20 de abril de 2015

35. JÁ FAZ UM ANO


  **********  2015  **********
Faz Um ano que fizemos uma reunião com o comprador da empresa Tera, a qual por sua vez, havia adquirido dos herdeiros de Paulo Matarazzo as terras denominadas  Jardim Virginia, cuja venda livrou os referidos legatários das obrigações legais não cumpridas.

 O adquirente, Sr. Airton Garcia, naquela ocasião em reunião conosco, comprometeu-se a honrar os compromissos feitos anteriormente pelos legatários de Paulo Matarazzo, à Construtora Firenze que se referiam a pagamentos por serviços executados.

Neste blog está contada a história recente deste loteamento, do abandono, invasões, mortes, enfim uma série de absurdos que ocorrem comumente em todos os recantos deste belo país.

Venho, agora, avisar às famílias, às pessoas que possuem lotes de terreno com origem na Construtora Firenze, executora do loteamento, as quais nestes últimos três anos tem sofrido as incertezas quanto aos seus documentos judiciais de dação em pagamento que o Sr. Airton Garcia, em telefonema, se dispôs a acertar de imediato a situação dessas dações em pagamento, pondo fim a lambança havida e ao desentendimento presente nos poderes competentes.

Seu representante no Guarujá. o Sr. Alcides, já tem a documentação necessária e reiterou as palavras do Sr. Airton Garcia de que, de maneira urgente, pretende resolver a situação que está causando humilhação e desespero (já há 3 anos) nas famílias que ali habitam e possuem documentação com origem no Poder Judiciário, transitada em julgado.
  

Por isso, eu, engenheiro Sérgio Paulo Petta, proprietário da Firenze Construtora e Imobiliária Ltda. espero que, desta vez, após 33 (trinta e três) anos (por coincidência a idade com a qual morreu Cristo), finalmente coloquemos uma pá de cal nesse assunto ignóbil.


17.abril.2015

segunda-feira, 14 de abril de 2014

34. LIXO (dejetos humanos)


A foto 8396 mostra o local onde os moradores do Jardim Virginia, Guarujá, S. Paulo, colocam o lixo para que seja levado pela coleta pública. As outras fotos retratam como funciona na Europa, Estados Unidos, e outros países mais sérios. Nessa matéria estamos em atraso de pelo menos 60 anos em relação ao mundo civilizado.
Incumbe ao Poder Público organizar a coleta e disposição final dos dejetos originados pelas atividades humanas e a solução do problema passa pela vontade dos políticos, especialmente vereadores e prefeitos, uma vez que esse é um problema de conseqüências municipais.

Entristeço-me em ver que a classe política viaja para o exterior com as sobras de campanha somente com a finalidade de se divertir e poder trazer uísque do Free Shop. Não conseguem enxergar certos adiantamentos daqueles povos para adotá-los em nosso país. Não creio que seja somente desinteresse. É, principalmente, porque possuem mente apoucada e inculta, produto de educação mal feita ou mal aproveitada.

Há mais de cinqüenta anos que assistimos as privilegiadas mentes dos alcaides e seus assessores adotar a solução de colocar lixeirinhas penduradas nos postes ou fixas nas calçadas para mostrar aos ambientalistas de plantão algum serviço. Em geral os tais pequenos contentores de dejetos são fornecidos por empresas amigas ou de mesma corrente política e não duram o tempo do mandato. É dinheiro posto fora.

Os países subdesenvolvidos, sempre produtos de povos idem, devem procurar auxilio e copiar as soluções acertadas de povos mais avançados. Hoje não se imagina navios transportando cargas picadas carregadas nas costas dos estivadores. Também, no mundo civilizado, não existem lixeiros pegando lixo de porta em porta e fazendo aquela gritaria. A única maneira de coletar o lixo economicamente, separando-o por categorias, é dotando as cidades e o campo de locais com contentores conforme se pode ver nas fotos acima. Cada cidadão, orientado por campanhas publicitárias, leva seu lixo, já separado, para os contentores.
O Brasil perdeu a hora de fazer ferrovias e também perdeu a hora para resolver o problema da coleta do lixo. Façamos um exercício de memória para saber quanto isso poderia custar hoje. Em grandes números temos uns quarenta milhões de domicílios (aceito correções).  Cada contentor atende a uns duzentos lares no máximo, portanto precisamos, grosso modo, 200 000 contentores. Esse equipamento pode ser feito em plástico alto impacto ou chapa galvanizada e vamos, somente para ter um número, orçar em US10 000,00 cada e o total chega a US$2000000000,00. Se considerarmos a coleta separada de vidros, metais, papel e lixo orgânico teremos de multiplicar a despesa por quatro, portanto oito bilhões de dólares.

A isso se soma o custo dos veículos especiais para descarregar os contentores e também os lugares para localizá-los. Esse número poderá, simplesmente, dobrar uma vez que terá que ser levado em conta a proximidade que esses locais deverão estar dos utentes. O dinheiro consumido em uma ou duas arenas para a Copa do Mundo poderia ser suficiente para iniciar o processo, mas isso seria esperar que os gerentes do Brasil soubessem o que significa prioridade. Quem prefere uma TV antes de comprar a geladeira jamais saberá o significado da palavra prioridade.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

33. AOS RESPONSÁVEIS PELA SAÚDE DE NOSSA SOCIEDADE



Da mesma forma que os médicos, hospitais e pronto-socorros são responsáveis pela saúde das pessoas, os juízes, promotores e advogados têm o encargo de preservar a saúde da sociedade. Os primeiros atendem o individuo. Os segundos, além da pessoa, do cidadão, têm o encargo importante e indeclinável de manter saudável a própria sociedade.

Esse enfoque, um tanto mal compreendido nos países de origem latina, é bem desenvolvido naqueles herdeiros do pragmatismo inglês. Por desfortuna, somos latinos.

Hoje muito se reclama do sistema de saúde brasileiro. Somos um país de muitos doentes pobres, cujo sistema oficial de saúde não atende satisfatoriamente. Também somos um país no qual a Justiça deixa a desejar quanto à justeza e rapidez de suas decisões. Essa distorção de ambos os sistemas produz uma sociedade insatisfeita, aumenta a pobreza e o descontentamento. É, certamente, uma realimentação das doenças e da criminalidade.

Para se ter uma idéia da funcionalidade da Justiça, um simples caso de inadimplência de taxa condominial está demorando 23 longos anos. Mais de um ano a disposição de um juiz para, simplesmente, despachar.  Casos de concussão nos serviços públicos demoram anos para serem resolvidos e quando resolvem, o produto do roubo já foi diluído os autores morreram e as provas se escafederam. É um processo Kafkiano atual.

Favelas, comunidades sem infra-estrutura, são locais onde as crianças, os brasileirinhos que um dia herdarão nosso belo país, brincam no esgoto a céu aberto, tomam água poluída, convivem com marginais que ali se desenvolvem com mais força e coragem. Casas de madeira e lata quando pegam fogo não permitem, pela desorganização das edificações, o acesso dos bombeiros, como aconteceu recentemente na Vila da Noite em Guarujá.

Favelas são doenças sociais originadas pela inoperância e incompetência dos poderes constituídos, pela demora em fazer cumprir as leis, pelo desconhecimento das mesmas, e por outros fatores pouco louváveis.

O aparecimento das favelas “Pedreira ou Cesp”, do “Cantagalo” e aumento da “Barreira do João Guarda estão nesse caso. Não vamos, absolutamente, culpar aqueles que ocuparam aquelas terras para ali fazer sua moradia. A eles não foi permitida outra solução porque a burocracia oficial tem impedido, sistematicamente, que sejam realizados loteamentos populares como havia há 30 anos. Existem pobres e ricos e ambos têm que ter opções para morar em locais decentes. O Poder Público tem se mostrado ineficiente em prover moradia, ou local com infra-estrutura, para que os menos favorecidos façam suas próprias casas e a prova é a multiplicação das favelas.

Saibam todos que as favelas existentes no Jardim Virgínia, Guarujá, iniciaram quando era prefeito o Sr. Rui Gonzalez, de triste memória. A Prefeitura iniciou a invasão da “pedreira” e muita gente no Guarujá se lembra do fato. Durante esse desgoverno também foi iniciada a desurbanização do loteamento existente no local com o roubo de terra de aterramento etc.

Conforme está fartamente explicado neste blog eu tentei mostrar àqueles que devem se importar com a saúde da sociedade os problemas existentes. Não fui feliz. Creio que minha época já passou e não estou entendendo a nova ética que prevalece em todos os setores. Foi um sonho, nada mais.

Aos deserdados das leis deste país tão vilipendiado, desejo coragem. Procurem, porque deverão encontrar alguém audaz e honesto que lhes possa ajudar. Se deixarmos proliferar a desesperança nós caminharemos para uma guerra civil, como está acontecendo no oriente próximo, solução na qual todos perdem e que temos obrigação de evitar a todo custo.

Janeiro de 2014

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

32. A CORRUPÇÃO INIBE 0 DESENVOLVIMENTO



O Brasil é hoje, como a índia, um país de grande potencial econômico principalmente devido à extensão de seu território e do número de habitantes. Todavia não é, e dificilmente será em prazo curto, uma nação do chamado primeiro mundo. A inércia dos Entes Públicos, sem dúvida, é responsável pelo atraso em que nos encontramos.
Em 1981 eu preparava o projeto de eletrificação do denominado Jardim Virgínia Continuação (JV 3, foto 5)  e solicitei por escrito à Cesp, empresa que na época era responsável pelo fornecimento de energia elétrica, que me fornecesse as diretrizes para a execução de um projeto de distribuição subterrâneo de energia elétrica. Esperei a resposta alguns meses quando, então, o engenheiro responsável pelo escritório de Guarujá me aconselhou que desistisse e fizesse um projeto comum, o que foi feito.

Trinta e dois anos se passaram e pouca coisa foi feita no sentido de eliminar das cidades a cara, perigosa e antiestética distribuição aérea da energia elétrica, e não estou falando somente do Guarujá. Para nós, brasileiros, especialmente para aqueles que não conhecem países do primeiro mundo, pode parecer muito normal todos esses fios pendurados, esse verdadeiro paliteiro que são os postes e o emaranhado de fios que se trançam como teias de aranha onde se misturam cabos de alta e baixa tensão com fios de telefone e de TVs. Vejam que não estou me referindo às gambiarras existentes nas favelas. Aquilo é ainda muito pior.

Há uns 8 anos recebi um parente Italiano, que ao chegar no Guarujá, na altura do Guaibê, mostrou-se
surpreso ao olhar para o alto e ver tantos fios e cabos pendurados. As fotos 3 e 4 mostram a ineficiência de nosso serviço público. As fotos 1 e 2  representam o que, comumente, se vê na Itália.

No Brasil as escolas não ensinam os hospitais não curam, a policia não prende, a justiça não julga, as prefeituras não entendem que o progresso das cidades depende da qualidade da administração. Cabe ao alcaide exigir, e não pedir, que a companhia de saneamento forneça água potável e colete o esgoto em 100% do município.  De igual maneira é ele que deve exigir das companhias de distribuição de energia elétrica que providenciem os projetos para que toda a distribuição seja subterrânea.

É isso que ocorre nos países europeus e demais nações civilizadas, entre as quais o Brasil ainda não está classificado. Àqueles que respondem pela Justiça compete colaborar para que haja progresso, impedindo os atuais desmandos que, certamente, beneficiam alguns naquele momento, mas prejudicam toda nossa descendência jogando populações inteiras a viver na miséria das favelas.  


Enquanto “triunfarem as nulidades” como disse Rui, enquanto os medíocres comandarem, enquanto não houver uma justiça rápida e efetiva, enquanto não se estabelecer em cada cidadão o espírito de brasilidade, nossos jovens continuarão abandonando o país como estão fazendo. Lamentavel.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

31. A LENTA EVOLUÇÃO HUMANA



A humanidade evolui, sem dúvida. O desenvolvimento tecnológico nos fez chegar à Lua. A ciência da computação aproximou os homens. Entretanto nossa ética e moral rescende aos primórdios da civilização grega que, preocupada com a insensatez humana, produziu no século VII AC o escravo e fabulista Esopo, célebre criador de histórias cujos argumentos colocados na boca de animais visavam ensinar aos humanos uma melhor maneira de proceder. Nestes 2700 anos não conseguimos apreender, apesar de Pedro e La Fontaine terem reeditado, com notáveis melhoramentos, mais de duas centenas delas.
Reproduzo aqui, por oportuno, o lobo e o cordeiro, fábula retirada do livro traduzido do original Frances por Luis Antonio dos Santos, editado em março de 1926.

A razão do mais forte é sempre maior, nós vamos já demonstral-o. Um cordeiro se desalterava na corrente de uma água pura. Sobreveio um lobo em jejum, o qual procurava aventura e que a fome attrahia a estes logares.
- Que te faz tão ousado para turbar minha bebida? Disse este animal cheio de raiva; tu serás castigado por tua temeridade. –Senhor, responde o cordeiro, vossa Magestade não se domine pela cólera; mas antes considere que eu me estou desalterando na corrente, a mais de vinte passos para baixo de vós; e que, por conseguinte, de nenhum modo posso turvar vossa bebida. –Tu a turvas! Retorquiu este animal cruel; e eu sei que fallaste mal de mim o anno passado. –Como tel-o-ia eu feito, si eu não era nascido? Retrucou o cordeiro; eu ainda estou mamando em minha mãe. – Si não és tu, é então teu irmão. – Eu não tenho nenhum. – Então é algum dos teus; porque vós não me poupais nunca, nem vossos pastores, nem vossos cães; disseram-m’o. É preciso que me vingue.
Entrementes, o lobo o transporta e em seguida o come, sem outra forma de processo.

 Obs;  1. Cópia autêntica, idioma da época.
          2. Desalterar, galicismo. Matar a sede.